O Brasil é nosso. É da juventude que estuda, trabalha, sonha e resiste todos os dias nas periferias, no campo, nas águas, nas florestas, nas escolas, universidades e locais de trabalho.
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O BRASIL É NOSSO: JUVENTUDES PELO BRASIL
A juventude brasileira está no centro de uma grande disputa. A nossa insatisfação com o capitalismo é diária: o jovem acorda de madrugada, paga caro para andar em um transporte lotado e gasta toda a sua energia trabalhando para ganhar um salário que não chega a pagar as contas no fim do mês. Não sobra tempo para o lazer, para a cultura ou simplesmente para descansar. No fundo, o desenvolvimento periférico brasileiro trava o nosso avanço e a vida não melhora na velocidade que a gente precisa.
O Brasil pertence à juventude trabalhadora que estuda, sonha e resiste, do campo e das florestas às periferias e favelas nas cidades. Somos o presente em movimento, a força social decisiva que garantiu a vitória da democracia e elegeu o presidente Lula em 2022, impondo uma derrota histórica à extrema direita que tentou sequestrar nosso país, as cores da nossa bandeira e o nosso futuro.
Temos orgulho de um projeto que democratizou as universidades e abriu oportunidades para a juventude trabalhadora. No governo Lula 3, as políticas de juventude voltaram a ser prioridade, com iniciativas como o Pé-de-Meia, a ampliação do ID Jovem, o Juventude Negra Viva, a recriação da Secretaria Nacional de Juventude, o fortalecimento da cultura periférica por meio do Vozes Periféricas e a ampliação das oportunidades de participação e trabalho para a juventude. A vida concreta começou a mudar, mas isso é apenas o ponto de partida. As conquistas acumuladas são a base para avançarmos, transformando o crescimento do país em dignidade, direitos e futuro para todas as juventudes.
O Tamanho do Nosso Desafio: as juventudes brasileiras em disputa
O cansaço da juventude não é fraqueza, mas a resposta justa a um Estado que a direita amarrou de mãos e pés. O problema é a lógica do sistema neoliberal que tenta dominar a nossa mente e roubar o nosso tempo, que chama a perda de direitos de “liberdade”. Aproveitando-se da nossa exaustão, a direita vende soluções falsas que aprofundam este modelo, em especial nas redes sociais, empurrando os jovens para o trabalho sem garantias, para o vício das plataformas de apostas (BETs) e para o esgotamento mental, apresentando a mentira de que todo mundo pode ser “empreendedor de si mesmo”.
O crescente adoecimento mental entre a juventude também faz parte dessa disputa. Não é coincidência que cada vez mais jovens convivam com ansiedade, depressão e um sentimento permanente de insuficiência. Não existe saúde mental se não existe tempo para viver, se o trabalho não garante dignidade e se o futuro parece incerto e, por isso, defender a saúde mental da juventude também é defender trabalho digno, o fim da escala 6×1, pleno acesso ao cuidado e um Estado presente, capaz de devolver à juventude a perspectiva de uma vida melhor.
Mas a verdade é uma só: ninguém se salva sozinho num sistema feito para nos esmagar. A verdadeira libertação da juventude só virá quando superarmos esse sistema de exploração, chamado capitalismo. E a nossa principal arma para isso é, e sempre será, a organização coletiva por meio dos movimentos sociais e os partidos políticos. Nós, unidos.
Não daremos trégua aos que lucram com o nosso sofrimento. Para garantir o nosso futuro, precisamos derrotar definitivamente o projeto entreguista e elitista da extrema direita, onde o jovem é descartável, mera mão de obra barata para servir ao mercado financeiro. Nós não aceitamos essa submissão! Por isso, entendemos que somente com a reeleição do presidente Lula e a continuidade do nosso projeto poderemos aprofundar as transformações necessárias para que a juventude seja, de fato, os verdadeiros protagonistas na construção de um Brasil novo, baseado na solidariedade e num desenvolvimento que seja dono de si mesmo.
A verdadeira chance de melhorar de vida passa pela criação de empregos de qualidade, com direitos garantidos, impulsionados por um projeto de reindustrialização que una tecnologia, sustentabilidade e justiça social. É para construir esse futuro que o movimento “O Brasil é Nosso: Juventudes pelo Brasil” se organiza nacionalmente, transformando a indignação da nossa geração em ação coletiva.
Plataforma de Lutas da Juventude Brasileira
Para disputar e vencer o futuro, erguemos a nossa Plataforma:
1. Trabalho Digno
O trabalho hoje adoece quem trabalha. Lutamos pelo fim da desumana escala 6×1, garantindo proteção previdenciária, direitos trabalhistas, remuneração justa e melhores condições de trabalho para motoristas e entregadores. Lutamos pelo fortalecimento da representação sindical da juventude, pela maior valorização dos trabalhadores especializados e por um projeto de reindustrialização verde, com responsabilidade ambiental e tecnologia orientada ao desenvolvimento nacional, capaz de gerar empregos qualificados, com direitos plenos e soberania produtiva.
2. Mobilidade e Direito à Cidade
A catraca divide a cidade entre quem pode e quem não pode materializar seu direito de ir e vir. Queremos avançar na implementação gradativa da Tarifa Zero Nacional, pela integração total dos modais urbanos e metropolitanos, e por transporte seguro e digno para as periferias e áreas rurais.
3. Educação Emancipadora e Combate à Precarização
A ampliação do Prouni, que permitiu o acesso da classe trabalhadora ao ensino superio, foi a vitória de ontem; a permanência com qualidade é a exigência de hoje. A assistência estudantil massiva, o fim da militarização escolar e estágios com remuneração justa é imprescindível para o momento atual. Assim como barrar o avanço implacável de cursos de baixa qualidade, barrando a lógica de expansão predatória e mercantilizada do EAD. Ampliação do orçamento para a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), a fim de aumentar a entrada de jovens trabalhadores e trabalhadoras no Ensino Superior.
4. Saúde Mental da Juventude
A saúde mental da juventude está em colapso e isso tem nome: é a pressão de um sistema que nos quer produtivos até o limite. É preciso a expandir o acesso ao tratamento especializado em Saúde Mental no SUS, valorizando os CAPS, e implementando a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, com foco em redução de danos, desconstrução de preconceitos e equipes psicossociais em todas as escolas e universidades.
5. Reparação e Vida para a Juventude Negra e Periférica
Viver não pode ser um ato de coragem. O genocídio da população negra e a violência policial seguem ceifando a vida e o futuro da juventude das periferias e enfrentar essa realidade exige o fortalecimento as políticas de igualdade racial, ampliação as cotas em todas as esferas e reorientação do orçamento público para investir em infraestrutura, esporte, cultura e lazer nos territórios populares. Também é preciso criar Centros de Cultura da Paz para acolher jovens vítimas da violência racial em comunidades com altos índices de letalidade.
6. Autonomia das Mulheres Jovens e Economia do Cuidado
É preciso aplicar efetivamente a Política Nacional de Cuidados, criando cuidotecas estudantis para emancipar jovens mães da sobrecarga do trabalho de cuidado. Também é urgente avançar na igualdade salarial, ampliar as Casas da Mulher Brasileira, garantir o direito ao aborto legal, seguro e gratuito pelo SUS e incluir a Lei Maria da Penha como conteúdo obrigatório na Educação Básica. O combate à violência de gênero deve orientar todas as políticas públicas, enfrentando o feminicídio e a crescente violência contra as mulheres, tanto nos espaços presenciais quanto nas redes, onde grupos misóginos seguem se organizando e disseminando ódio.
7. Cidadania LGBTI+
Existir e amar não podem exigir heroísmo. Garantir a dignidade da população LGBTI+ exige ampliar as políticas afirmativas para jovens trans e travestis, implementar amplamente as cotas trans, combater a LGBTfobia na educação e no mundo do trabalho, assegurando atenção integral à saúde e respeitando as especificidades dessa população no SUS.
8. Terra, Território e Soberania no Campo, nas Águas e Florestas
O jovem tem o direito de permanecer em seu território com prosperidade. Para isso, é preciso realizar a Reforma Agrária Popular e a titulação de terras indígenas e quilombolas, ampliar o acesso ao crédito por meio do Pronaf Jovem, fortalecer a assistência técnica agroecológica, garantir conectividade digital no campo e expandir o transporte escolar, impedindo o fechamento das escolas nesses territórios.
9. Soberania, Ciência e Desenvolvimento
O Brasil não será a fazenda do mundo. Nossas empresas estatais são estratégicas para o desenvolvimento nacional e para enfrentar o desmonte do Estado. Para construir um país soberano, é preciso rearticular os Planos Regionais de Desenvolvimento, descentralizar os investimentos em Ciência e Tecnologia e retomar o controle público de setores estratégicos, como energia e saneamento, hoje submetidos à lógica do lucro privado. Qualificar a juventude e ampliar seu acesso à educação, à pesquisa e à inovação também é parte fundamental desse projeto de soberania.
10. Transição Ecológica
A juventude deve liderar uma transição energética popular, fomentando a agroecologia, criando uma política nacional de preservação dos biomas brasileiros e garantindo uma política nacional de proteção às comunidades indígenas e tradicionais diante da violência e da expansão predatória sobre seus territórios. Esse caminho fortalece a capacidade do país de enfrentar a crise climática, protegendo a biodiversidade e construindo um modelo de desenvolvimento comprometido com a justiça socioambiental.
11. Justiça, Desencarceramento e Direitos Humanos
A atual política de segurança encarcera e mata a nossa geração. É preciso transformar o sistema de justiça criminal, reformando os Códigos Penal e de Processo Penal à luz dos Direitos Humanos. Também defendemos a regulamentação e a legalização da cannabis, tratando o tema como uma questão de saúde pública, além de políticas de desfaccionalização e reinserção social e produtiva de pessoas egressas do sistema prisional.
12. Reforma Urbana e o Direito de Morar
A cidade não é balcão de negócios. Temos de combater a especulação imobiliária, garantir o cumprimento do Estatuto da Cidade e regular aplicativos de hospedagem que encarecem os aluguéis. Além de ampliar o crédito habitacional e a construção de moradia popular em regiões centrais, garantindo acesso à infraestrutura urbana.
13. Participação Popular da Juventude
A participação é condição para a construção do poder popular. Defendemos o fortalecimento do Conselho Nacional de Juventude e das Secretarias Estaduais de Juventude, articulando movimentos populares, sindicatos, partidos, governos e conselhos setoriais. Também propomos a curricularização do Estatuto da Juventude na Educação Básica, programas permanentes de participação nas escolas, Institutos Federais e universidades, a ampliação dos Agentes de Educação Popular em Saúde e o fortalecimento da cultura periférica por meio do programa Vozes da Periferia.
Nosso Compromisso Político
Assumir este documento significa escolher um lado. Significa compreender que a reconstrução promovida pelo governo Lula 3 nos possibilitou voltar a ficar de pé, mas que a nossa tarefa histórica agora é dar o salto em direção a um futuro mais justo e igualitário.
O pacto da juventude com o futuro exige romper as amarras do neoliberalismo e recusar a gestão conformista da miséria do possível. A nossa força está em agir juntos contra a morte como projeto, contra a vida reduzida a lucro, contra o individualismo que nos isola e adoece.
Queremos um Brasil onde trabalhar seja digno, onde ser jovem seja sinônimo de direitos, oportunidades e futuro, e o povo seja, de fato, dono do seu destino. A juventude brasileira está pronta e organizada para liderar essa marcha, disputar o futuro, extirpar o fascismo e transformar radicalmente o Brasil.






